UROLITÍASE

12-urolitíase

O termo urolitíase refere-se às causas e efeitos da presença de precipitados minerais macroscópicos em qualquer segmento do trato urinário (rins, ureteres, vesícula urinária e uretra).

O urólito é uma concreção organizada encontrada no trato urinário e que contém primariamente cristaloides orgânicos  e inorgânicos e quantidades muito pequenas de matriz orgânica.

Cálculo é um termo geral que se refere às concentrações sólidas formadas nos ductos dos órgãos ocos, que são formados a partir da aglomeração de um ou mais tipos de cristais.

Os cristais urinários se formam quando a urina está supersaturada por grandes concentrações de minerais, que precipitam secundariamente a fatores predisponentes relacionados ao indivíduo, aos seus hábitos alimentares, entre outros.

Muitas vezes é possível palpar urólitos na bexiga e na uretra durante exames abdominais ou retais, mas a inflamação e espessamento da parede podem obscurecer a presença de pequenos urólitos.

Embora as causas não estejam bem estabelecidas, sabe-se que a enfermidade decorre da interação de diversos fatores familiares, congênitos e adquiridos.

Essa interação aumenta o risco de precipitação de metabólitos sob a forma de cristais na urina, fator primordial da formação dos urólitos.

A formação dos urólitos é influenciada por diversos fatores, sendo que apenas alguns são conhecidos.

  • raça,
  • sexo,
  • idade,
  • pH urinário,
  • anormalidades anatômicas e de metabolismo,
  • infecções urinárias,
  • características da dieta.

A administração de determinadas drogas como alcalinizantes ou acidificantes de urina, corticosteróides e quimioterápicos também pode contribuir para a formação e desenvolvimento de concreções urinárias.

Os urólitos são classificados e denominados de acordo com a sua composição mineral, considerando o mineral que constitui mais de 70% da sua composição.

Os sinais clínicos podemos citar:

  • disúria, (dor, queimação, ardência ou desconforto durante ou após o ato de urinar.)
  • estrangúria, (micção, emissão lenta e dolorosa da urina.)
  • polaciúria, (aumento do número de micções com diminuição do volume da urina, ou seja, urinar pouca quantidade muitas vezes ao dia)
  • hematúria. (presença anormal de eritrócitos (hemácias) na urina)
  • oligodipsia, (baixa/diminuição na ingestão de água)
  • polidipsia, (excessiva sensação de sede)
  • adipsia (ausência de sede)

Dependendo do tipo de urólito, este pode proporcionar lesões na parede da vesícula, ocasionando a hematúria, em alguns casos, pode estar associado a infecção bacteriana.

Em alguns animais, pode ser identificado a presença de odor fétido e pode ocorrer incontinência urinária

O diagnóstico da urolitíase é realizado com base em sinais clínicos associados a exames laboratoriais e de imagem como radiografia (simples ou contrastada) e ultrassonografia, palpação direta ou indireta com o uso de cateter uretral e, em alguns casos, pela eliminação de pequenos urólitos durante a micção.

Os urólitos de oxalato de cálcio e estruvita são os de maior radiopacidades, e os de urato são relativamente radiotransparentes, e os de silicatos e cistina têm radiodensidade intermediária.

O prognóstico dos animais acometidos por urólitos pode variar de favorável, moderado a sombrio, com base nesta classificação, o prognóstico pode variar devido ao tamanho do cálculo, local onde este se encontra e a clínica do paciente.

Quando os urólitos são identificados precocemente, é indicado a alteração da dieta deste paciente, fatores que aumentem a ingestão de água pelo animal, o controle do pH da urina desse paciente para proporcionar um ambiente que promova a dissolução destes cristais, assim com a utilização de medicamentos que promovam a diluição destes cálculos, já em casos mais graves, é recomendado a realização de cirurgia para a remoção desses cálculos.

A cirurgia só é indicada em casos onde houve insucesso na dissolução destes cálculos, ou então, principalmente quando ocorre a obstrução dos ureteres ou da uretra. Antibióticos e anti-inflamatórios são indicados nos casos onde há infecções bacterianas e caso o animal apresente dor ao urinar.

Tipos de urólitos

Cálculo de Estruvita:

A estruvita ou fosfato de amônio magnesiano é historicamente o mineral mais frequentemente encontrado nos urólitos caninos.
A grande maioria dos urólitos de estruvita se forma na bexiga.
Na espécie canina, infecções do trato urinário por bactérias produtoras de urease estão intimamente relacionadas à urolitíase por estruvita.
Urina com pH alcalino e com cristais de magnésio e fósforo predispõe a formação de urolitíase por estruvita.
As fêmeas de cães  são mais predispostas à formação de cálculos de estruvita que os machos, pois são também mais suscetíveis às infecções urinárias devido às características anatômicas da uretra feminina, que possui lúmen mais largo e curto, o que facilita a entrada de bactérias no trato urinário de maneira ascendente .  Já nos gatos não há predisposição sexual.
O controle de infecções urinárias, também auxilia na prevenção da ocorrência ou recorrência desse tipo de urólito.
No caso do uso de dietas acidificantes, é importante que se faça o monitoramento da cristalúria do animal.
Se houver cristalúria persistente, há o risco de induzir a formação de cálculos de oxalato de cálcio, pois os fatores que levam à formação de ambos os tipos de cálculos são opostos.
Às vezes, pode ocorrer a deposição de cristais de oxalato de cálcio sobre urólito de estruvita, o que impede sua dissolução.

Raças com maior predisposição: Schnauzer miniatura, Bichon Frise, Shithtzu, Lhasa Apso, Yorkshire Terrier

Cálculo de Oxalato de Cálcio:

Os cálculos de oxalato são normalmente de cor branca e muito duros. Eles muitas vezes têm conchas, bordas irregulares e podem ser únicos ou múltiplos.
São encontrados na bexiga e na uretra, mas também são o tipo mais comum de urólito encontrado nos rins e ureteres.
Nos cálculos urinários, o oxalato de cálcio pode se encontrar sob as formas monohidratada, mais comum nos cães, e dihidratada, menos comum .
Os cálculos de oxalato de cálcio são, historicamente, o segundo tipo de urólito mais frequente nos cães e a taxa de recorrência da urolitíase por oxalato de cálcio é alta.
Urina com pH ácido e com presença de cristais de cálcio e oxalato predispõe a formação de urolitíase por oxalato de cálcio .
A acidose associada à dieta acidificante ou acidificantes urinários também podem levar à hipercalciúria e formação de urólitos de oxalato de cálcio.
Cálculos de oxalato de cálcio são mais frequentes nos machos que nas fêmeas, tanto nos caninos e felinos. 
A urolitíase por oxalato se desenvolve principalmente em cães de raças pequenas.
A probabilidade de formação dos cálculos de oxalato de cálcio aumenta com a idade do animal, por essa razão a ocorrência de cálculos de oxalato de cálcio se dá em animais mais velhos que aqueles que desenvolvem urólitos de estruvita.
Os urólitos de oxalato de cálcio, uma vez formados, não podem ser dissolvidos.

Raças com maior predisposição: Schnauzer miniatura, Bichon Frise, Shithtzu, Lhasa Apso, Yorkshire Terrier / Gatos Persas e Himalayan.

Cálculo de Urato:

Os cálculos de uratos são pequenos, quebradiços, esféricos e com laminações concêntricas.
São encontrados mais frequentemente na bexiga e ureta.
Os animais que desenvolvem cálculos de urato geralmente não apresentam cristalúria.
Em cães com shunts portossistêmicos, alterações hepáticas graves ou alterações metabólicas, a degradação das purinas não se completa e há aumento da excreção de ácido úrico, o que ocorre devido à deficiência da enzima ácido úrico oxidase, sintetizada no fígado.
A raça Dálmata é a mais frequentemente afetada pela urolitíase de urato e, por esta razão, os urólitos mais frequentes nesta raça são constituídos por urato.
Cães machos são mais predispostos a urolitíase por urato do que fêmeas. Não há predisposição etária.
Urólitos de urato de amônio são passíveis de dissolução.
O alopurinol também pode ser usado na terapia de dissolução. São indicados tratamentos dietético-profiláticos em cães com alta probabilidade de recorrência de calculose e urato.
O alopurinol inibe a conversão de xantina em ácido úrico, no entanto, é importante lembrar que a xantina também pode se precipitar e formar urólitos, ou mesmo uma camada de deposição de xantina sobre o urólito de urato.
Para evitar esse problema, é necessário associar o uso do alopurinol à redução da quantidade de purina na dieta. Portanto,o uso prolongado de alopurinol, como forma de profilaxia, deve ser evitado.

Raças com maior predisposição: Dálmatas e Bulldogues ingleses

Cálculo de Sílica:

Cálculos de sílica são cinza-esbranquiçados ou acastanhados e usualmente múltiplos em número.
Normalmente encontrados na bexiga e na uretra dos cães acometidos
Urolitíase de silicato é incomum em cães e extremamente rara em gatos.
Esses cálculos são compostos primeiramente por sílica, mas pequenas quantidades de outros minerais também podem estar presentes, como a estruvita.
Parece haver ligação entre a formação desses urólitos com o consumo de grandes quantidades de glúten de milho ou de casca de soja, alimentos que contém bastante quantidade de silicato e são utilizados na industrialização de rações para
cães.
Recorrências de urolitíase por sílica são incomuns.

Raças com maior predisposição: German Shepherds, Old English Sheepdog

Cálculo de Cistina:

Cálculos de cistina são compostos inteiramente por cistina.
São pequenos, esféricos, e podem ser amarelo-claros, marrons ou verdes.
Ocorrem mais comumente na bexiga e na uretra e são normalmente múltiplos.
Cálculos de cistina são incomuns em cães e gatos.
A cistinúria é um distúrbio hereditário do transporte tubular renal envolvendo a cistina ou a cistina mais outros aminoácidos ( ornitina, arginina e lisina) e está relacionado a formação dos urólitos de cistina, entretanto nem todos os cães com cistinúria desenvolvem os urólitos, portanto a cistinúria se torna um fator predisponente, e não um fator causal primário.

Raças com maior predisposição: Bulldog Inglês, Newfoundland, Dachshund, Irish Terrier, Basset Hond, Bullmastiff, Rottweiler

Cálculo de Fosfato de Cálcio:

O fosfato de cálcio nos cálculos pode estar nas formas de carbonato apatita, hidroxilapatita e brushita.
Os fatores que aumentam o risco de um paciente desenvolver urólitos com esse composto são urina alcalina, excreção aumentada de fosfato e cálcio na urina e infecções urinárias por bactérias produtoras de urease. Essas bactérias hidrolisam a ureia em amônia e carbamato que entra na composição dos cálculos de fosfato de cálcio.
Causas que levam à hipercalcemia, como neoplasias, intoxicação por vitamina D e excesso de cálcio na dieta também podem predispor a esse tipo de urolitíase .
Urólitos simples de fosfato de cálcio são pouco frequentes, mas esse mineral está constantemente associado à estruvita em cálculos compostos e mistos.

Cálculo de Xantina:

A xantina é produzida no metabolismo das purinas.
Ela é convertida em ácido úrico pela ação da enzima xantina oxidase.
Animais com xantinúria hereditária possuem deficiência dessa enzima e, nesses casos, a formação espontânea de urólitos por esse metabólito pode ocorrer, embora seja mais rara.
Os urólitos de xantina também podem ser iatrogênicos provocados pelo uso de alopurinol para tratamento de urolitíase por urato ou de leishmaniose.
Com o uso do alopurinol, as concentrações urinárias de urato diminuem, mas os de xantina aumentam.
Dessa forma reforça-se a indicação de que altas doses de alopurinol ou sua prescrição por tempo prolongado não são recomendadas.
Cálculos urinários de xantina são insolúveis, ocorrem mais em machos mas são pouco freqüentes nos cães.

Referência Bibliográfica:

Richard W. Nelson , C. Guilhermo Couto. Medicina Interna de Pequenos Animais. R.J: Guanabara Koogan SA, 1992.

Dennis J. Chew. Urologia e Nefrologia Do Cão e Do Gato. R.j: WM Design.

https://ppgca.evz.ufg.br/up/67/o/Dissertacao2014_Paula_Costa.pdf  _ Universidade Federal Goiás – escola de Veterinária e Zootecnia – Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal.

http://portalvet.royalcanin.com.br/

https://www.revistanossoclinico.com.br/urolitiase-em-animais-de-pequeno-porte/

HIPERTIREOIDISMO EM FELINOS
CONSTIPAÇÃO CRÔNICA EM FELINOS
INTOXICAÇÃO POR BUFOTOXINAS EM CÃES
TUMORES MAMÁRIOS
FÍSTULAS PERIANAIS
PERIODONTIA / DOENÇA PERIODONTAL
HEPATITE INFECCIOSA CANINA
PARAINFLUENZA
CORONAVIROSE
ADENOVIROSE CANINA
OFTALMOLOGIA VETERINÁRIA
CELULITE JUVENIL CANINA
HIPERTERMIA MALIGNA
CARCINOMA/ADENOCARCINOMA/COLANGIOCARCINOMA DO DUCTO BILIAR
DISPLASIA RENAL
SÍNDROME DO OVÁRIO REMANESCENTE
FÍSTULA INFRAORBITÁRIA
FÍSTULA ORONASAL
CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS EM CÃES
COLAPSO TRANQUEIA
ESPIRRO REVERSO
HEMANGIOSSARCOMA
HEMANGIOMA CUTÂNEO CANINO
ODONTOLOGIA VETERINÁRIA
HIPOGLICEMIA
INSULINOMA
SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA VIRAL FELINA (FIV)
TRICOBEZOAR
VÕMITO CRÔNICO EM GATOS
NEOPLASIA PROSTÁTICA
PROSTATITES
CISTOS E ABSCESSOS PROSTÁTICOS
HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA (HPB)
AFECÇÕES PROSTÁTICAS EM CÃES
CORONAVÍRUS FELINO
CISTITE IDIOPÁTICA FELINA (CIF)
TÉTANO
UROLITÍASE
DISQUERATINIZAÇÃO
DESVIOS (SHUNTS) PORTOSSISTÊMICOS CANINOS
HIGROMA
DOENÇA DO SACO ANAL
PEDICULOSE
ISOSPOROSE
TOXOPLASMOSE
HIPERADRENOCORTICISMO CANINO / SÍNDROME CUSHING
DOENÇA RENAL CRÔNICA
ARRITMIAS CARDÍACAS
INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CONGESTIVA
BORDETELLA
CLAMIDIOSE
HEMOPARASITOSES EM GATOS
DERMATITE ATÓPICA CANINA / ATOPIA
DERMATITE ÚMIDA / ECZEMA ÚMIDO
HIPOADRENOCORTICISMO / DOENÇA DE ADDISON
HIPOTIREOIDISMO CANINO
PROBLEMAS NOS OLHOS
PERITONITE INFECCIOSA FELINA (PIF)
MASTOCITOMA
ENDOCARDITE BACTERIANA
LEISHMANIOSE VISCERAL CANINA
LARVA MIGRANS VISCERAL
LEPTOSPIROSE CANINA
DERMATOFITOSE / MICROSPORUM CANIS
DERMATITE ACRAL POR LAMBEDURA
PULICIOSE – PULGAS
DEMODICOSE CANINA/ SARNA DEMODÉCICA
DIROFILARIOSE
SARNA OTODÉCICA / SARNA DA ORELHA
SARNA SARCÓPTICA / ESCABIOSE CANINA
DIABETES MELLITUS
SÍNDROME DA DISFUNÇÃO COGNITIVA
FeLV – LEUCEMIA VIRAL FELINA
TRAQUEOBRONQUITE INFECCIOSA CANINA
DOENÇA DO TRATO URINÁRIO INFERIOR FELINOS
OTITES
RAIVA
GIARDÍASE
LARVA MIGRANS CUTÂNEA
CALICIVÍRUS FELINO
HERPESVÍRUS FELINO/RINOTRAQUEÍTE VIRAL FELINA
BOTULISMO
HIPERPLASIA ENDOMETRIAL CÍSTICA E PIOMETRA
DIPILIDIOSE
PARVOVIROSE
HEMOPARASITOSES EM CÃES
CINOMOSE